Nascido em julho de 1881, Clotário Portugal foi uma figura de grande relevância no cenário político e judiciário paranaense e catarinense na primeira metade do século XX. Tendo concluido seus estudos em Ciências Jurídicas em 1905, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, Clotário iniciou sua vida profissional como Promotor Público, sendo nomeado juiz em Porto União poucos anos depois.
Ainda que fosse nomeado ou indicado para diversos cargos de destaque ao longo de sua carreira, Clotário manteve-se sempre ligado a magistratura. Como juiz, pouco tempo depois de completar seus estudos de graduação, teve destaque por sua forte atuação na Guerra do Contestado ao defender a comarca de Porto União dos ataques dos “jagunços”, que contavam com a força de 500 homens enquanto Clotário contava com apenas 40. Restabelecida a ordem, Clotário retornou ao exercício da judicatura, mas conflitos entre a força militar e as autoridades civis fizeram com que novamente o magistrado atuasse energica e serenamente, mantendo a dignidade de seu cargo. Diante de sua atuação exímia, e depois de acalmados os ânimos, o magistrado foi convidado pelo então presidente do Estado do Paraná, Afonso Alves de Camargo para ocupar o cargo de Procurador Geral da Justiça, com apenas 34 anos de idade.
Clotário foi nomeado Desembargador e, após, Corregedor Geral da Justiça – cargo exercido com ímpar meticulosidade. Foi também nomeado Chefe de Polícia em 1926, em cerimônia que envolveu toda a população da capital. Além de sua reputação ilibada, reconhecido senso de justiça e virtudes morais, era a primeira vez em 20 anos que a Chefatura de Polícia era confiada a um paranaense.
Como desembargador, foi diversas vezes nomeado Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, até 1947 – ano de seu falecimento. Exerceu ainda as funções de Secretário do Interior e Justiça, Interventor do Estado e Vice-Diretor da Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, onde lecionava Direito Penal.
Reconhecido por sua retidão profissional, cultura jurídica, senso de Justiça, reputação ilibada e carreira honrosa, este grande nome do Judiciário Paranaense foi escolhido dentre personalidades como Rui Barbosa e Teixeira de Freitas como patrono do Diretório Acadêmico dos estudantes da Faculdade de Direito de Curitiba, fundado em 1952.














